UNISULDIM
1ª. fase

Em Roma, como os etruscos!

 

Os mitos em torno da tradição e dos feitos da antiga Ro­ma sempre foram muito louvados pelos seus descendentes.

No entanto, recentes descoberta arqueológicas revelam que os romanos devem bem mais do que jamais admitiram aos seus predecessores e antigos inimigos na península itálica, os etruscos.

O povo que ocupou boa parte do centro e do norte da Itália no primeiro milênio antes de Cristo (a.C.), foi pioneiro na construção de cidades na região e influenciou a arquitetura e a engenharia romana.

Os etruscos também foram responsáveis pela introdução da cultura grega em Roma.

Um recente simpósio realizado na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, reuniu uma serie de pesquisadores que estão desvendando os mistérios em torno da civilização etrusca.

Escavações em cidades como Florença, bononha e Pisa, entre outras, têm encontrado vestígios de templos, muralhas e obras de artesanato que evidenciam um considerável planejamento urbano dos etruscos.

Conforme Stephan Steigraber, do German Archaeological Institute of Rome, é possível perceber que algumas cidades tinham areas separadas para moradias, industrias e prédios públicos. As construções etruscas evoluiramde cabanas cobertas com palha para construções em pedra e, por volta do século 7 a.C., para cidades.

Os arqueólogos também concluíram que o sexo feminino gozava de elevado status na sociedade etrusca. Pinturas e inscrições demonstram que mulheres podiam administrar negócios, como, por exemplo, olarias.

A professora Larissa Bonfante, da Universidade de Nova York, explica que, diferentemente das romanas, as mulheres etruscas podiam ter nomes próprios. Ela lembra que as filhas do rei romano Sérvio Túlio, por exemplo, eram ambas chamadas de Tulia.

Ninguém sabe ao certo quando os etruscos chegaram à pninsula itálica ou de onde eles vieram. Eles falavam uma língua diferente de qualquer outra conhecida na Europa.

Acredita-se que os ancestrais etruscos devem ter cruzado os Alpes vindos do Norte, ou morado há tanto tempo na região que suas origens são de pouca relevância.

Os costumes etruscos são identificados como uma intrigante mistura de varias outras tradições, possivelmente da Ásia Menor (hoje Turquia) e especialmente da Grécia. A civilização etrusca era uma especia de federação controlada por oligarquias com forte caráter teocrático.

A própria crença de atribuir a ocorrência de todos os fatos à vontade divina é apontada pelos historiadores como um dos fatores que colaboraram para a derrocada dos etruscos. – Era um ambiente sufocante, um tipo de teocracia sem mobilidade social – analisa Gregory Warden, arqueólogo norte-americano da Southern Methodist University.

Herança pouco lembrada

Quando da fundação de Roma, os etruscos eram o povo mais avançado e poderoso da península itálica. Espalhavam-se por 12 ou talvez 14 cidades-estados que partilhavam a mesma língua e cultura, embora não tivessem um governo centralizado.

Sua riqueza se baseava principalmente na agricultura, na mineração e na fundição de metais.

Os etruscos eram também hábeis mercadores e marinheiros, mantendo intensos vínculos comerciais com outras potencias do Mediterrâneo.

No século 5 a.C., e talvez nos outros dois ou três posteriores, os etruscos governaram Roma. Esses conquistadores podem ter batizado a cidade. O nome Roma provavelmente veio do etrusco, idioma de origem desconhecida.

Os etruscos foram subjugados pelos romanos no primeiro século a.C., mas sua influência cultural se propagou de varias formas, sendo uma das principais introduções do alfabeto – adotado dos gregos – que, por sua vez, o tomaram dos fenícios.

Os domínios etruscos se espalhavam pelo Norte e pelo centro da Itália. Escavações em cidades como Florença e Pisa tem trazido novas revelações sobre o passado dessa civilização.

 

                     

 

 

 

Os estruscos exibiam a paixão pela arte por meio de templos ricamente decorados.

 

 

 

 

 

 Artigo do Diário Catarinense 08/05/2003